Doula ou Enfermeira Obstetra?

Doula ou Enfermeira Obstetra? Quem eu devo contratar para acompanhar o meu parto?

Com a quantidade de gente que está acumulando as duas formações, muitas pessoas confundem o papel dessas 2 profissionais em um parto! Por isso, vou resumir a função de cada uma:

– Doula: acompanhante profissional de parto, tem como funções dar informações, ajudar no plano de parto, na escolha da equipe, no alívio não farmacológico da dor, além de fornecer apoio emocional e logístico no momento do parto e pós parto imediato. Não realiza nenhum procedimento médico ou da enfermagem.

– EO (Enfermeira Obstetra): muitas vezes chamada também de parteira urbana, é uma enfermeira especialista em obstetrícia (por residência ou pós graduação), apta não apenas a realizar procedimentos como aferir pressão, medir temperatura, fazer exame de toque, realizar ausculta fetal, como também atender pré natal e partos de baixo risco e lidar com determinadas emergências maternas e neonatais. Sua função em um parto é técnica!

Mesmo que uma única profissional tenha as duas formações, ela deve ser contratada ou como doula, ou como EO (jamais um combo tipo “pague uma e leve duas”)! É praticamente impossível exercer as duas coisas ao mesmo tempo com a devida maestria e responsabilidade! É a mesma coisa que querer que seu cerimonial de casamento também seja seu fotógrafo! Algo importante vai ficar faltando, não é mesmo?!

Então, para decidir qual composição de equipe vc deve montar, considere os seguintes cenários (estou considerando que em todos esses cenários existe uma doula, o que seria ideal):

– Parto domiciliar (1): pode ser feito com médico + EO + doula.

– Parto domiciliar (2): EOs (normalmente as equipes atendem em duas) + doula. Médicos são backup em caso de necessidade de remoção hospitalar.

– Parto hospitalar (1): obstetra plantonista ou particular + doula (que pode prestar assistência pré hospitalar mas vai com a gestante para o hospital no início da fase ativa para ela poder ser monitorada adequadamente). No caso da assistência obstétrica não ser humanizada, aumenta-se a chance de intervenções ou cesariana, pois a gestante provavelmente ficará mais horas no hospital. Lembrando que a doula não possui funções técnicas, portanto, não pode de responsabilizar pela evolução e monitoramento de um trabalho de parto na casa da gestante a partir da fase ativa.

– Parto hospitalar (2): obstetra plantonista ou particular + doula + enfermeira obstetra (que nesse caso fará assistência pré hospitalar, realizando exame de toque e ausculta fetal, de forma que a gestante possa chegar em trabalho de parto avançado no hospital). Chegando no hospital, é provável que só a doula e o acompanhante possam entrar, mas o papel da EO já terá sido cumprido e a equipe de plantão assumirá a partir dali!

No entanto, em um cenário em que a gestante NÃO tem recursos financeiros para contratar uma EO + uma doula, eu sugiro o seguinte: se o parto contar com a presença de um obstetra humanizado particular ou for realizado em uma instituição que preze pela humanização, contrate uma doula! Se o parto estiver nas mãos de plantonistas ou profissionais não humanizados, contrate uma EO, pois assim você tem a oportunidade de chegar no hospital em um estágio mais avançado de trabalho de parto, tendo sido adequadamente monitorada ao longo desse processo em casa! Nesse caso, a gestante infelizmente fica sem o suporte físico e emocional provido pela doula.

Além disso, muitos obstetras humanizados já trabalham com suas próprias EOs de confiança contratadas como parte da equipe, sem que esse custo seja diretamente repassado para a paciente, o que também é muito interessante!! Ao contrário da doula, que tem uma função subjetiva e deve ser escolhida pela mulher baseada em critérios próprios, a EO pode sim ser escolhida pela equipe, já que dividirá responsabilidade técnica sobre aquele parto.

Ps: numa situação obstétrica ideal, as EOs podem e devem atender tecnicamente os partos de baixo risco, tanto em domicílio quanto em hospitais e casas de parto, deixando que os médicos atendam as gestações e os partos de alto risco, a exemplo do que ocorre em quase todos os países desenvolvidos. Esse é o caminho de uma obstetrícia verdadeiramente eficiente e humanizada, e o que sonhamos para o futuro obstétrico do país!

Entenderam a diferença?

Texto de Érica de Paula – doula, psicóloga, educadora perinatal e acupunturista. Co-Autora do documentário “O Renascimento do Parto – 1”.

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