3 meses

Vencemos o primeiro trimestre, aqueles famosos meses de exterogestação tão temidos quanto exaltados! Recentemente fiz uma enquete em um post onde perguntava às mães qual foi a impressão que elas tiveram sobre os 3 primeiros meses, se foi de fato a etapa mais difícil ou se a maternidade é igual videogame (fica mais difícil a cada fase)! As opiniões foram bastante divergentes, mas de forma geral houve um consenso de que especialmente os pais de primeira viagem consideravam essa fase a mais difícil principalmente pelo fator novidade! 

Quando o bebê nasce, por mais que você tenha estudado exaustivamente e saiba de certa forma o que esperar (como era meu caso como profissional da área, mas não é o caso da maioria das pessoas), nada te prepara para a sensação de ter uma vida inteiramente dependente de você, para o medo de errar, para o peso da responsabilidade de cada escolha, para a imersão necessária até que você nasça como mãe e se refaça como mulher. Nada! E todo esse processo ocorre de forma muito visceral principalmente no primeiro filho, abrindo caminho para uma maternidade mais fluida nos próximos (se houverem). 

Por isso, como mãe de primeira viagem, eu não sei qual será o meu veredicto final a respeito do primeiro trimestre lá na frente, mas hoje posso dizer que vivi essa fase com o tanto de leveza que foi possível, mas também com toda a intensidade que o momento exigiu!

Agora vou falar especificamente sobre cada assunto:

Amamentação: se antes o peito resolvia tudo (sono, irritação, tédio, dor, coceira no pé…), agora ele pede para mamar apenas quando está realmente com fome! E então a gente vive uma ambiguidade que só quem é mãe vai entender: ao mesmo tempo em que o maior intervalo entre mamadas amplia sua liberdade até certo ponto, você já está tão acostumada a ser uma fábrica de tetê ambulante que rola até um “ciuminho” desses novos interesses! Como assim ele não quer mais o peito toda hora e prefere fazer outra coisa do que ficar grudado na mamãe?! É uma lição para aquelas pessoas preocupadas com o suposto “vício” que o bebê irá desenvolver pelo peito se for amamentado em livre demanda! Eis que uma bela hora eles começam a enxergar o mundo ao redor e o peito passa a ser requerido apenas em algumas ocasiões, te obrigando inclusive a desenvolver um mega repertório paralelo que sirva para acalmar, distrair, fazer dormir, etc! Bem mais trabalhoso do que levantar a blusa, podem acreditar!

Como eu amamento em livre demanda e passo o dia por conta dele, nunca olhei no relógio para saber qual é o intervalo atual das mamadas, mas acredito que passe de 2 e chegue a 3 horas na maioria das vezes (antes não passava de 40 minutos a 1 hora, rs)! O tempo de duração da mamada também mudou bastante! Se antes eu conseguia assistir boa parte de um seriado enquanto ele mamava, ou botar o papo em dia no WhatsApp e responder os directs no Instagram, agora em poucos minutinhos ele termina o serviço e logo já quer explorar o mundo (até a sucção não nutritiva ficou restrita ao final do dia e às madrugadas)! 

Ps: se o bebê está mamando e olhando para você, por favor haja com reciprocidade, OLHE PARA ELE e aproveite essa sensação mais deliciosa do mundo inteiro! Nada de ficar no celular e deixar o coitado no vácuo nesse momento importante de interação! Mas se ele está olhando para outro lugar ou está de olhos fechados, seja feliz fazendo outras coisas para passar o tempo!

Ah, eu sempre falei que meu peito nunca vazou, e só agora nesse terceiro mês começou a vazar de vez em quando, principalmente quando eu estou dando de um lado e então vaza no outro! E foi a primeira vez que eu precisei fazer ordenha de alívio. Coincidentemente, o mês que eu tive mais leite “visível” foi o que ele ganhou menos peso, para vocês verem como a relação não é tão direta. 

Desenvolvimento: na última consulta do pediatra ele estava pesando 6,3 Kg (ganhou 700g no último mês) e medindo 61 cm. O perímetro cefálico aumentou bastante (2 cm por mês até agora) e isso é um excelente sinal. Nesse mês ele esteve muito mais agitado e com muito mais controle sobre seus movimentos, que agora são mais coordenados e com objetivos específicos (como tocar no meu rosto, puxar a alça da minha blusa, alcançar um brinquedo, bater num chocalho, etc)! Ele também está bem mais durinho, com mais controle de cervical e já vira de lado sozinho de vez em quando (fora que toda noite ele é colocado para dormir de um jeito e acorda do outro lado do berço, na transversal, com as pernas pra cima, etc)!

O Pedro sempre foi muito ativo e esperto, mas agora mais do que nunca presta atenção em tudo, olha rapidamente na direção de um ruído que lhe interesse, balbucia e “conversa” muito mais (o repertório de gritinhos e tonalidades de voz aumentou e está uma fofura)! Também sorri e gargalha com muito mais frequência, distribuindo a maior simpatia na rua com seu bom humor e sua “falação”! 

Saúde: estamos com duas suspeitas de diagnóstico que ainda não se confirmaram e espero nos próximos dias ter mais clareza sobre eles. Um é de refluxo, por ele às vezes (e recentemente) ficar muito incomodado com alguma coisa (especialmente no período da noite), engasgar em quase toda mamada, ter episódios mais frequentes de tosse e ânsia de vômito, entre outros! No entanto, esses sintomas também são compatíveis com língua presa (frênulo lingual curto), que eu sempre desconfiei que ele tivesse, mas que no hospital não foi detectado quando ele nasceu! Solicitei uma segunda opinião recentemente e estamos com um diagnóstico ainda inconclusivo, mas com uma possibilidade de que seja necessário fazer aquele “pique” para soltar a linguinha.

A amamentação exclusiva já fez muito bem para a retrognatia que ele nasceu (a maioria dos bebês nasce com o queixo pequeno e retraído para conseguir passar pelo canal de parto) e a mandíbula dele já está bem mais desenvolvida, assim como o lábio inferior que ficava para dentro e finalmente “saiu”. Os miliuns (aquelas bolinhas brancas constituídas de queratina que aparecem com frequência no rosto dos recém nascidos) também saíram todos no final do segundo mês. O cabelinho de trás começou a cair e formou uma faixa de falha quase de uma orelha até a outra, mas isso também faz parte dessa fase.

Sono: a privação de sono atingiu seu nível máximo nesse mês (acredito que não tenha como ficar pior do que isso, rs)! Houve uma “regressão” no padrão de sono que ele vinha apresentando e ele virou o famoso “bebê telesena”, dando o ar da graça de hora em hora (ou nem isso, em muitos dias ele simplesmente dorme apenas por alguns minutos no colo e olhe lá, nem cama compartilhada resolve)! E o pior é que nem sempre basta dar o peito para que ele volte a dormir (em muitas dessas acordadas ele não está com fome), e aí preciso ficar ninando e andando pela casa até que ele adormeça, para então acordar novamente daí um pouquinho! O dia que ele emenda duas horas de sono na madrugada eu já super comemoro e me sinto a própria bela adormecida.

Tem sido comum ele acordar em dado momento (tipo 4 ou 5 da manhã) e não querer mais dormir de jeito nenhum, “conversando”, sorrindo, mexendo, balançando os bracinhos, mexendo as perninhas e querendo brincar. Por enquanto eu estou tentando manter a sanidade e sigo confiante de que um dia vai melhorar, mas modificando algumas variáveis de vez em quando para ver se alguma coisa faz diferença, e sabendo também o quanto isso é normal, sobretudo em um bebê tão pequeno (mesmo que ao meu redor todos os bebês dazamiga pareçam dormir muito melhor – a grama do vizinho é sempre mais verde, né?)! Após duas semanas com esse padrão eu fiz 2 sessões de acupuntura nele até agora e pelo menos melhorou a primeira pernada de sono, que começa a partir de 19h em média (aí ele dorme de 3 a 5 horas seguidas, o que me permite fazer minhas coisas antes de ir “dormir”)!

Ah, as sonecas diurnas ocorrem religiosamente a cada 2 horas e eu procuro sempre ficar atenta aos primeiros sinais de sono para que ele não “passe do ponto” e assim durma mais facilmente (leia-se: lute menos contra o sono). Elas duram em média meia hora (se for no colo, duram mais) e tento sempre acostumá-lo a dormir em diferentes ambientes (cama, berço, carrinho etc) e com o barulho local. Mas a maioria das sonecas ainda é no colo mesmo (revezo com o pai e a avó), pois nem sempre ele aceita dormir de outra forma! 

Resumindo: não há padrões e nem certo ou errado em se tratando de seres tão únicos e especiais quanto os bebês. Por mais que eu conte aqui a minha experiência, não comparem seus filhos, o objetivo é apenas uma troca e um (possível) spoiler para quem ainda não chegou nessa fase! E a certeza de que tudo passa, de que cada fase tem suas dificuldades e suas delícias, e que no final iremos nos lembrar muito mais dos sorrisos e dos cheirinhos do que das olheiras…

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