8 meses

Enquanto no sétimo mês eu conclui que a característica que havia mais me chamado atenção era a curiosidade, agora eu tenho certeza de que essa observação atenta de todos os detalhes foi responsável por um super salto de evolução no oitavo mês. Claramente ele tem um entendimento muito maior do que acontece ao seu redor, e está muito mais desenvolvido em todos os sentidos. 

Desenvolvimento: ele tem mais consciência corporal (não tomba de forma alguma caso esteja sentado ou engatinhando), o engatinhar está completamente eficiente e coordenado, ele se agarra nas coisas e fica em pé com apoio com a maior facilidade (inclusive isso é o que ele mais gosta de fazer e treinar o dia todo, e chega a arriscar alguns segundos sem apoio nenhum), os movimentos com as mãos são menos brutos (já começou a fazer um projeto de pinça), etc. Ele presta muita atenção em pequenos detalhes como insetos, sombra e iluminação. E tem treinado bastante a linguagem, falando em “bebeiês” e já saindo a palavrinha “neném” de vez em quando.   

Alimentação: ele se comporta como eu já havia estudado ser normal, ou seja, de forma imprevisível. Em algumas refeições ele está super aberto a explorar os alimentos e come um pouquinho de cada grupo alimentar que eu ofereço, em outras ele não está afim de comer e eu respeito (ofereço novamente daí um tempo, etc). A quantidade ingerida em geral é pequena, variando bastante entre os dias, e o leite materno segue sendo o principal alimento, conforme a recomendação da OMS e do Ministério da Saúde.

Alguns alimentos tem despontado como “preferidos” (claro que isso varia ao longo das fases), como por exemplo feijão, omelete (sempre faço enriquecida com alguma folha verde, gergelim, tomate, cebola, pimentão, etc), brócolis e algumas frutas como laranja, morango, mexerica, uva, ameixa e pêssego. Alguns poucos alimentos ele aceita melhor amassados (é o caso da banana, talvez por me ver sempre comendo amassada com aveia e pasta de amendoim), mas em 95% das vezes eu ofereço em pedaços, conforme o método BLW. Ele prefere a maioria das frutas inteiras (e vai roendo no ritmo dele, por exemplo ameixa, pêssego, etc) do que em pedaços, mesmo se forem pedaços grandes. O tempo que ele demora para comer também varia muito, e muitas vezes são feitas paradas para mamar ou tomar água, ou ele quer sair do cadeirão e terminar a refeição no colo, ou brinca com a comida por um bom tempo e depois decide ingerir, etc. A bagunça e a sujeira fazem parte desse processo.

Sono: deu uma piorada no padrão e até mesmo aquela primeira pernada entre 20h e 0h, por exemplo, começou a ser picada de hora em hora (nos dias após as sessões de acupuntura melhora significativamente. Mas em casa de ferreiro quase não consigo ter tempo de fazer, rs). Na grande maior parte das vezes eu acredito que ele acorde porque quer verificar se eu estou por perto (alô angústia de separação), e algumas nitidamente são causadas por saltos de desenvolvimento mesmo. Na minoria ele quer mamar (ou está com fome), embora eu ofereça com frequência o peito para que ele adormeça mais rápido. Em 90% das vezes, só adianta se eu for, e se outra pessoa tentar pegá-lo ele começa a chorar até que eu apareça (ele não costuma acordar chorando, apenas desperta, senta e sai engatinhando pela cama). Eu tenho certeza de que a dificuldade de dormir dele está também em “não querer perder nada”. O garotinho é elétrico.

Durante boa parte desse mês, a cama dele continuou em nosso quarto, no chão e ao lado da nossa cama. Para facilitar, muitas vezes eu passava ele para a minha cama em algum momento da noite ou acabava adormecendo de cansaço na caminha dele mesmo (que é tamanho Junior – nem preciso dizer que acordava toda torta e dolorida, né). Nessa última semana eu mudei a estratégia e coloquei a cama dele de volta no quarto dele e, para ajudar na transição, coloquei um colchão de solteiro ao lado e vou para lá a partir do primeiro despertar da madrugada. Eu não conto mais quantas vezes ele acorda durante a madrugada (nem pego o celular)  e isso também varia conforme o dia, mas sei que ainda são muitas. Sobre esse assunto, já falei bastante nos meus destaques de sono. As sonecas continuam no mesmo padrão: duas no período da manhã, duas no perído da tarde, todas com cerca de 30 minutos, e alguns dias com exceções (menos sonecas, mais sonecas, sonecas mais longas….). 

Comportamento: desde os 6 meses já vinha acontecendo, mas esse mês se acentuou bastante a chamada “birra”: o comportamento de chorar, gritar, se jogar para trás e etc quando fica frustrado com algo. É algo esperado para essa fase e cabe a nós pais acolhermos e entendermos essa frustração do bebê, que embora nos pareça desproporcional, devemos enxergar sob os olhos de alguém que está começando agora a aprender sobre o mundo e ainda possui um cérebro extremamente imaturo.  Vestir roupa, trocar fraldas, escovar os dentes e agora até mesmo tomar banho (só quer ficar em pé) são desafios diários.

Tenho tentado ao máximo adaptar a casa à presença dele, para que ele se sinta livre para explorar sem ter que ouvir “não pode” o dia todo. Minha regra em geral é: se não fere a integridade física dele, não oferece nenhum risco e não vai causar nenhum dano ao próprio objeto, eu deixo ele pegar, brincar, colocar na boca e etc. O restante, deixo fora do alcance dele até que ele tenha idade para discernir o que é de criança e o que é de adulto. 

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