A história do meu nascimento

Na época do meu nascimento, em 1986, a cultura da cesárea e sobretudo da mamadeira já imperava! Para minha sorte, minha mãe trabalhava no Ministério da Saúde (no extinto INAM) e era responsável justamente por datilografar os materiais que saíam a respeito dos benefícios do aleitamento materno! Por isso, fui amamentada por quase 2 anos.

Ainda assim, as informações ainda eram escassas em muitos aspectos! Observem meu peso ao nascer de 39 semanas: 2,4 KG! Naquela época, ainda não eram tão amplamente conhecidos os malefícios que a nicotina podia causar no feto em formação (por atravessar a barreira placentária), dentre eles o baixo peso ao nascer! Minha mãe, como quase todo mundo naquela época, era fumante! Mas essa é outra história. 

Nasci de parto normal. Infelizmente, esse evento foi uma das experiências mais traumáticas da vida da minha mãe. Fui descobrir, quando eu já trabalhava como doula e questionei sobre meu próprio nascimento, que aos primeiros sinais de trabalho de parto o obstetra a internou e prescreveu medicamentos para que ela parasse de sentir contrações. Ele tinha um compromisso pessoal naquele dia e não queria ser atrapalhado. No dia seguinte, ele aplicou ocitocina sintética para que ela voltasse a sentir as contrações e induziu meu parto acompanhado do pacote completo do que hoje conhecemos por violência obstétrica: jejum, proibição do acompanhante (meu pai), posição de litotomia (vulgo “frango assado”), manobra de kristeller e episiotomia. 

Não por acaso, quando ela engravidou do meu irmão mais novo e já traumatizada com a experiência que tinha vivido, mudou de médico e agendou uma cesariana (que também foi péssima, pois ela teve um choque anafilático decorrente de uma alergia à penicilina). A coitada não teve mesmo sorte em seus partos! 

Um dia, ao ver um vídeo de parto que eu havia acompanhado como doula no YouTube, minha mãe resgatou uma lembrança do meu nascimento e me contou emocionada que a única memória positiva que ela guardava do trabalho de parto era do carinho que a namorada do obstetra (que simplesmente resolveu assistir um parto naquele dia sem ter sido convidada) fazia em seu cabelo durante as contrações, dizendo que ela era forte e que iria aguentar. Ou seja…por acaso, a minha mãe teve uma espécie de “doula” naquele dia. E isso trouxe algum conforto para ela em meio a tanta dor.

Engraçado que sempre me questionaram como eu vim parar nesse universo de doulagem, grávidas, partos e bebês. Eu nunca soube dizer com exatidão. De certa forma, a vida foi me empurrando por esse caminho…e minha ficha nunca tinha caído de sobre o motivo pelo qual esse tema era tão importante para mim! 

Um dia, muitos anos atrás, em uma consulta de tarot que eu resolvi fazer com uma pessoa que não conhecia nada da minha vida até então, ela me falou: “estou vendo muitos bebês ao seu redor! Acredito que um dia você vai trabalhar com partos e mulheres, para resgatar a história do seu próprio nascimento, que não foi muito legal! Você pode não se lembrar, mas a experiência do seu parto marcou profundamente o seu inconsciente e o bebê que você foi um dia. Você vai ajudar a fazer com que outras mulheres não sintam o que sua mãe sentiu!”

Naquele momento, é claro que eu me arrepiei todinha! Ela só estava errada em uma única coisa: eu não “ia” trabalhar com isso um dia! Eu JÁ tinha tornado essa a causa da minha vida e estava em franca produção do documentário “O renascimento do Parto” naquele ano.

Hoje, tenho certeza que esse é o meu propósito de vida: ajudar mulheres e bebês a terem experiências positivas de gestação, parto, nascimento e maternidade!

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