Devo adiar os planos de engravidar na pandemia?

Se você estava planejando engravidar, veio a pandemia e te deixou confusa a esse respeito, vou te dar 10 ítens para pensar sobre o assunto. 

Mas primeiro quero lembrar que essa é uma decisão absolutamente pessoal e intransferível, que depende muito das variáveis envolvidas em cada contexto, como: idade da mulher, reserva ovariana e tratamentos em curso. Para algumas mulheres, esperar mais alguns meses pode fazer toda a diferença entre poder ou não ter um filho. Para outras (sobretudo as mulheres jovens e sem histórico de problemas de fertilidade), não fará tanta diferença assim. E é sobretudo para elas que eu escrevo. 

1. A doença é recente e ainda não podemos afirmar com toda certeza que não existem efeitos teratogênicos no feto, uma vez que nenhum bebê de mãe contaminada no primeiro trimestre da gestação já nasceu. 

2. Gestantes e puérperas são consideradas grupo de risco para desenvolverem complicações, inclusive com maior risco de parto prematuro e cesarianas de emergência, de acordo com alguns estudos.  

3. O isolamento social indicado para a população, sobretudo para quem faz parte do grupo de risco, será prejudicado pela necessidade de sair para exames e consultas. 

4. O sistema de saúde está colapsado em diversas cidades e as emergências obstétricas podem ser prejudicadas por faltas de leitos ou profissionais disponíveis. 

5. O pré natal (principalmente no setor público) não está acontecendo da maneira habitual, havendo assim menos consultas e exames de acompanhamento da gestação. 

6. O plano de parto tem sido profundamente afetado pela nova dinâmica hospitalar, com limitações importantes de acompanhantes, doulas, fotógrafos e outras possibilidades como parto na água, amamentação na primeira hora de vida, contato pele a pele entre mãe e bebê e outras questões, dependendo das regras de cada instituição e do profissional de plantão no momento. 

7. Os primeiros 15 dias após o parto envolvem particularmente mais riscos de descompensação do estado de saúde da mulher caso ela esteja infectada.

8. A falta de rede de apoio (avós, empregadas domésticas, babás, etc) pode ser um fator de maior sobrecarga para os pais do bebê, e a presença da rede de apoio pode acarretar maiores riscos para todos. 

9. Especificamente no Brasil, concentramos 80% das mortes maternas de gestantes e puérperas de todo o mundo, com centenas de casos já notificados por pesquisadores locais. 

10. A ansiedade, o stress, a preocupação excessiva e a falta de socialização na gestação e no pós parto imediato podem ser fatores de risco para desenvolver depressão pós parto.

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