Diário de Gravidez: A descoberta

Em março desse ano eu tirei o Mirena (sua validade de 5 anos havia acabado) e meu plano era liberar para engravidar a partir do início do ano que vem. Meu ciclo sempre foi extremamente regular, inclusive  com o DIU (eu continuei menstruando), então mesmo após sua retirada ele continuou com o padrão de 28 dias. Minha menstruação tinha até hora para descer: se atrasasse 4 horas, eu já achava estranho. Sendo assim, eu estava me prevenindo ora com preservativo, ora com os métodos de percepção natural de fertilidade (eu observava o muco cervical, as características do colo uterino e a temperatura basal = método sintotermal! tem uma série de vídeos nos destaques do meu instagram explicando direitinho como funciona).

Na ocasião de uma viagem para o Chile, eu estava no período fértil e decidimos assumir o risco (de 10 a 15% conforme as estatísticas, então não ia rolar, pensei eu). O resto da viagem seguiu normal, com passeios de até 15 graus negativos de temperatura e aquela consciência levemente pesada toda vez que eu tomava uma taça de vinho…mas como não tomar vinho no Chile? A chance era tão pequena de eu ter engravidado, afinal!

Durante os próximos 13 dias de viagem eu tive alguns episódios de irritabilidade extrema e pensava já ser a TPM se aproximando. Cheguei de viagem quase 2 semanas depois e minha mãe me buscou no aeroporto, já comentando “minha filha, estou achando o seu peito muito grande”. Eu respondi que foi pra isso que eu paguei a prótese de silicone, oras! que eu estava na TPM, ou então que o sutiã que eu estava usando devia estar dando a impressão dele ser maior, mas ela não se convenceu. No dia seguinte ela me mandou um whatsapp desconfiada e falando a mesma coisa. Brinquei: “se minha menstruação não descer até quarta feira, vamos testar sua teoria”.

Na segunda feira, encontrei duas primas para tomar um café e por desencargo de consciência e pressão delas resolvi fazer um teste de gravidez. Comprei na farmácia ao lado e fui para o banheiro do café fazer o tal xixi no palito. Olhei por alguns segundos e não vi nada, então deixei ele na pia e pensei “ok, não estou grávida”. Quando terminei de me vestir olhei rapidamente para o teste novamente e uma segunda mancha começou a aparecer, ainda fraca. Meu coração veio parar na boca. Coloquei o teste dentro da bolsa e voltei para a mesa do restaurante. Minhas primas me perguntaram e eu não sabia o que responder, estava com medo de abrir a bolsa e olhar de novo. Abrimos e estavam lá, os dois traços inconfundíveis em formato de +. Elas começaram a gritar e me abraçar enquanto eu tentava absorver a novidade, ainda atônita. Todo mundo olhava para nossa mesa. Eu sabia que a linha, por mais fraca que fosse, já indicava gravidez, mas ainda estava num processo de negação (não por estar triste, mas por não acreditar mesmo) e fui na farmácia novamente comprar outro teste (dessa vez eu queria aquele digital que escrevia GRÁVIDA com todas as letras, além de dizer com quantas semanas você está). Comprei e fiz. Não preciso nem dizer que estava lá escrito com todas as letras né? GRÁVIDA 1 -2 SEMANAS. Detalhe, isso tudo aconteceu 3 dias antes da minha menstruação atrasar.

Já era noite, então eu decidi fazer o betahcg no dia seguinte de manhã. Ia esperar para contar para o meu companheiro só então e proibi minhas primas de abrirem a boca sobre esse assunto com qualquer pessoa (sob protesto delas, que queriam contar até para o caixa do supermercado). Mas não aguentei e contei nesse dia mesmo. Coloquei os dois testes dentro da bolsa, e pedi que ele abrisse. Pensei que ele ia dizer “putz amor, não havíamos planejado isso agora, era só ano que vem” ou algo assim. Mas, para minha surpresa, ele disse: “você tá grávida amor? Eu já sabia”. Comecei a chorar (mais uma vez, não de tristeza, mas de catarse mesmo) e ele me abraçou. Falamos um pouco sobre o assunto e ele continuou assistindo TV, simples assim. Meia hora depois ele estava roncando, enquanto eu passei a noite praticamente em claro (não sei se por eu ser mulher ou se por trabalhar com isso e ter noção da dimensão que essa notícia teria na minha vida, minha cabeça não parava de funcionar 1 segundo). No dia seguinte fiz o beta e ali estava: 90. Realmente, não tinha para onde correr!! Durante o banho, eu já senti um incômodo da água batendo no meu mamilo, e desde então meus seios ficaram super inchados e não pararam mais de doer.

Encontrei a minha obstetra em um parto em que eu também era a doula e ela já me passou mais um pedido de beta para daí alguns dias e os primeiros exames de sangue que eu deveria fazer. Esperei 4 dias para repetir o beta (que deveria ao menos duplicar a cada 48 horas p/ indicar que tudo estava evoluindo bem) e ele já estava 600. Era o que precisávamos para começar a contar a notícia para as pessoas mais próximas. Mandei uma mensagem para minhas melhores amigas, ele contou para alguns amigos dele e no fim de semana contamos aos nossos pais. Afinal, alegria compartilhada é alegria em dobro!

Eu sempre disse para todo mundo que quando eu engravidasse não ia ter essa de esperar 12 semanas para contar, que eu já ia fazer o xixi no palito ao vivo em uma live no instagram (óbvio que isso era um exagero). Mas na prática não era bem assim. Decidimos compartilhar a notícia com as pessoas mais próximas sem medo de, mediante uma perda gestacional (acontece em até 20% das gestações), compartilhar também nossa dor. Afinal, é pra isso que serve a rede de apoio, né? Na alegria e na tristeza! Então colocamos nosso foco nos 80% que dão certo e não nos 20% que não dão. Como eu sempre falei para minhas pacientes (nessa e outras questões): a estatística está a nosso favor.

Eu senti que o fato de ter contado para algumas pessoas tornou tudo mais real (caiu mais um pedacinho da ficha), mas a sensação predominante no dia a dia era a de que nada estava acontecendo. Parecia que não era comigo, sabe? Nesse início quando ainda não temos barriga, os enjôos ainda nem apareceram e a vida aparentemente ainda está igual, eu me pegava pensando várias vezes ao dia: “será que tá acontecendo mesmo? E se eu fizer um exame hoje vai dar positivo de novo”? Inclusive quando eu fui contar para minha mãe eu comprei outro teste de farmácia para embrulhar de presente junto com um cartãozinho, e enquanto eu fazia o terceiro teste no banheiro da casa dela (e após dois betas) eu juro que ainda passava pela minha cabeça que podia não aparecer nada! Óbvio que racionalmente eu sabia que isso era impossível, mas quem disse que a gente pensa racionalmente o tempo todo??

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Comments (8)

  • Natália Reply

    Erica, tudo bem? Por que você diz que as chances eram de 10 a 15% conforme as estatísticas?

    outubro 2, 2018 at 12:05 pm
    • Erica de Paula Reply

      Pq as chances de uma mulher acima de 30 anos engravidar por tentativa em período fértil é essa. 🙂

      outubro 2, 2018 at 12:49 pm
  • Ana Reply

    A gente fica se acreditar, né? Fiz 2 de farmácia e 1 beta e fui pesquisar no Google se era possível gravidez psicológica dar positivo. Na primeira ultra eu tb ficava pensando q podia chegar lá e não ter nadinha. Confesso que só acreditei mesmo quando ele saiu de dentro de mim. Rs

    outubro 2, 2018 at 12:31 pm
  • Anna Luiza Reply

    Comigo foi assim mesmo!!! É estranho no início, ao mesmo tempo que temos certeza, pois conhecemos nosso corpo, é difícil acreditar! Kkkkkkk Parabéns, mta saúde pra vc e pro bebê!!!

    outubro 2, 2018 at 2:25 pm
  • Marseile Reply

    Aaaaah que alegria Érica! Lembro de quando fiz o meu exame no banheiro do supermercado. Não apareceu a segunda listra. Guardei na caixa e joguei no lixo… Saí do banheiro e então pensei que deveria guardar o teste, já que foi o primeiro da vida, mesmo sendo negativo. Cheguei lá e peguei o teste dentro da caixinha… E a bendita segunda faixa estava lá. Fiquei tão besta que não comprei nada no mercado, pode se dizer que entrei só pra fazer xixi mesmo 😂😂😂😂😂

    outubro 3, 2018 at 10:56 am
  • Tatiane Reply

    Incrível como foi exatamente igual pra mim! O peso da responsabilidade ainda cai muito mais nas costas da mãe, acho que por isso nos sentimos tão apavoradas no início! Muita saúde pra ti e pro bebê 😘

    outubro 5, 2018 at 8:27 pm
  • ANA CAROLINA Reply

    Oiii, qto tempo após a retirada do DIU vc engravidou? Tenho 30 anos, tirei meu DIU em dezembro, pretendo engravidar só em abril, mas vai q role antes. rs

    janeiro 2, 2019 at 7:00 pm
    • Erica de Paula Reply

      Engravidei após uns 5 meses que retirei, mas na primeira “tentativa”. Eu não estava tentando antes.

      janeiro 3, 2019 at 2:19 am

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