Episiotomia ou laceração espontânea

Considerando que a episiotomia é uma intervenção desnecessária em quase 100% das vezes e que existem profissionais humanizados que estão sem fazer esse procedimento há 17 anos (vejam no Blog da Dra Melania Amorim uma aula completíssima sobre o assunto), é sempre preferível deixar que o corpo trabalhe de forma fisiológica e tenha uma laceração espontânea, se for o caso.

A estatística de períneos íntegros x laceração varia de equipe p/ equipe, mas a experiência que eu tenho dos partos que acompanho é de cerca de 50% de períneos íntegros e 50% de lacerações superficiais de primeiro grau (que pegam apenas mucosa, ao contrário da episiotomia que corta o músculo também). Essas lacerações de mucosa podem ou não ser suturadas, a depender de haver sangramento ou de qualquer tipo de comprometimento estético. Se houver a decisão pela sutura, uma anestesia local será aplicada e o profissional irá realizar o procedimento, que em geral é extremamente simples e relativamente rápido.

No entanto, existem algumas medidas que podem ser tomadas tanto pela gestante no pré natal quanto pela equipe durante a assistência ao parto que podem ajudar a prevenir essas lacerações. Alguns exemplos abaixo:

– Fazer massagem com algum óleo vegetal (ex: óleo de semente de uva) no períneo em movimentos em forma de U a partir da 34 semana.

– Treinar com o Epi-no (um balão inflável que simula o período expulsivo. Pode ser alugado em clinicas específicas ou feito durante sessões de fisioterapia).

– Fazer exercícios de Kegel (procurem no google, tem até aplicativo de celular que te lembra de fazer ao longo do dia! bom para todas as mulheres de todas as idades!!!).

– Durante o período expulsivo, optar por posições verticalizadas (na banqueta, na água, etc) que te trazem mais conforto. Jamais ficar na posição de litotomia (vulgo posição de frango assado, deitada com as pernas pra cima).

– A equipe pode aparar o períneo com compressas e lubrificar a entrada da vagina com algum óleo (eu uso óleo de mamona, vaselina, etc) na hora que o bebê estiver coroando.

– E, principalmente, fazer força apenas na hora da contração enquanto estiver sentindo os puxos (vontade de empurrar). Jamais fazer força no intervalo da contração ou sem sentir vontade, a não ser em casos de analgesia em que a mulher não está sentindo os puxos (mesmo nesse caso, só fazer força junto com a contração). E, quando a cabecinha já estiver saindo, apenas respirar para que o bebê seja suavemente empurrado pela contração.

Lembrando que a grande maioria dessas medidas ainda não possui evidências científicas que comprovem sua eficácia e nem mesmo empiricamente não podemos afirmar que alguma delas irá garantir o períneo íntegro (muitas mulheres fazem diversas preparações e mesmo assim acabam tendo alguma laceração, e muitas outras não fazem absolutamente nada e ficam com o períneo íntegro)! O maior benefício de tudo isso é acima de qualquer coisa uma maior consciência corporal sobre essa região tão negligenciada do corpo feminino!!! Infelizmente são poucas as mulheres familiarizadas com o próprio períneo.

Eu particularmente acredito que o corpo humano é uma máquina perfeita e que não é necessário nenhuma preparação extraordinária para poder parir (vejam meu post sobre preparação para o parto)

Mas fiquem tranquilas, pois o períneo íntegro e um períneo com laceração (mesmo com necessidade de sutura) provavelmente estarão exatamente idênticos em pouco tempo!!! Acreditem!!

Ah!!! dicas para a recuperação no pós parto: compressas geladas de camomila (“absorventes refrescantes” – embeber absorventes em chá de camomila frio, colocar em saquinhos separados e deixar no congelador), spray de “andolba” (vende na farmácia) e banho de assento de barbatimão.

Texto de Érica de Paula – doula, psicóloga, educadora perinatal e acupunturista. Co-Autora do documentário “O Renascimento do Parto – 1”.

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