Introdução Alimentar na vida real – relato de 1 ano!

Quando o Pedro começou a comer eu fiz um apanhado de informações relevantes para ajudar quem estava vivendo esse momento também (tem 5 posts anteriores e 2 destaques CHEIOS de dicas maravilhosas). Uma delas é que o leite materno ou a fórmula seguem sendo o principal alimento do bebê até 1 ano de vida, e as comidas sólidas são apenas um complemento até lá (orientações da SBP, do MS e da OMS). Na prática, foi EXATAMENTE isso que aconteceu conosco. Claro que existem bebês que desde o primeiro dia da IA aceitam comida super bem e vão gradativamente demandando menos peito, mas essa não é necessariamente a regra.⁣

Por aqui, até os 12 meses, a quantidade de comida que ele de fato ingeria era bastante pequena na maioria das vezes, e a frequência de mamadas praticamente não alterou (até pq eu estava sempre com ele, seja no consultório, seja agora durante o isolamento social). Em alguns dias acontecia dele engatar mais nas refeições e eu pensava “agora foi”! Aí no dia seguinte ele recusava refeições inteiras ou comia uma quantidade irrisória! Eu ficava um pouco frustrada sim, mas respeitava! Já tinha estudado bastante sobre o quanto isso era normal, ficava tranquila quando via que ele estava se desenvolvendo super bem (tanto em comportamento quanto em medidas) e confiava no meu leite para suprir a maior parte das suas necessidades, complementado pelo pouco de comida que ele ingeria! ⁣

Claro que às vezes me batia aquele desespero de mãe e eu pensava “será que esse menino não vai comer de verdade nunca?” e na mesma hora me lembrava do quão sem lógica era essa pergunta e também dos cursos e livros que eu já tinha lido sobre isso (recomendo bastante o livro “Meu filho não come” do Dr. Carlos Gonzales)! Até que, aos poucos, a coisa foi fluindo cada vez mais…sempre 2 passos p/ a frente e 1 p/ trás, e repetindo para mim mesma o mantra : “somos responsáveis pela qualidade do alimento que devemos oferecer, mas não pela a quantidade que o bebê vai ingerir”. ⁣

Desde o início, oferecemos a grande maioria dos alimentos em pedaços (com cortes seguros para a idade) e praticamente nunca em forma de papinha, por acreditar nos benefícios de uma introdução alimentar mais ativa (sem rotular BLW, mas usando os princípios do BLW e da Introdução alimentar participativa). As receitinhas caseiras com ingredientes permitidos (bolinhos, panquecas, tapioca, etc) vieram só após os 9 meses e dessas ele sempre gostou bastante e comia em grande quantidade quando eu fazia! Por isso, sempre fiz no máximo 1 ou 2x por semana, para que ele não quisesse substituir as frutas e a comida de verdade por receitas. Por mais que eu só use ingredientes naturais, é sempre mais interessante que a criança se habitue a comer primeiro os alimentos “in natura”. ⁣
Também sempre soube que ele poderia sim mamar antes, durante ou após as refeições (coisa que ele faz até hoje! Não é raro ele pedir p/ mamar no meio do almoço, mamar um pouquinho e voltar a comer melhor ainda depois. Vejo como uma forma que ele encontrou de testar se o mamá ainda está disponível mesmo que ele esteja comendo)!⁣

Outra coisa que é importante frisar é de nunca deixar de oferecer os alimentos pensando que a criança “não gosta” após alguns episódios de recusa (e nem afirmar que a criança “não gosta” de tal coisa na frente dela)! Na teoria, fala-se que são necessárias 15 tentativas para dizer que a criança não gosta de algo! Ouso dizer que são mais! Aqui, por exemplo, ele deve ter recusado a cenoura umas 50x para comer de vez em quando algum pedacinho. Essa semana, do nada, está comendo cenoura há vários dias consecutivos e adorando! E eu não precisei falar nada, a cenoura só estava ali na bandeja dele como sempre (uma criança não é obrigada a gostar de tudo, viu? Todos nós temos preferências alimentares e isso é natural! Mas às vezes rotulamos que fulano não gosta de algo e nunca mais damos nem a oportunidade de mudarem de idéia). ⁣

Por aqui, a a aceitação das frutas foi imediata, e da comida “salgada” (entre aspas, pq não deve necessariamente ter sal) foi gradativa! Mas nem por isso se justifica aquela orientação ultrapassada de oferecer primeiro comida salgada para só depois de um tempo oferecer as frutas. Desde o primeiro dia de IA, você pode oferecer tudo isso. Dentro das refeições principais, feijão, milho e omelete sempre foram os queridinhos! Com o tempo, passou a gostar de arroz também (principalmente qdo o arroz faz aquela pelota e ele consegue pegar sozinho o pedaço grande! Ele não curte tanto pegar para comer coisas muito pequenininhas com o movimento de pinça)! O Brócolis passou por fases de amor e recusa (agora estamos na fase do amor novamente)! Folhosas eu sempre ofereço dentro da omelete (pedacinhos de couve picada, espinafre, etc) e o restante ele às vezes topa comer e às vezes não (inhame, batata, couve flor, chuchu, tomate, beterraba, abóbora, abobrinha, etc). ⁣

Como alguns de vocês sabem, o Pedro ainda não comeu carne, mas nesse caso por uma opção filosófica minha, que também não como desde criança. O pai pretende oferecer em algum momento, e assim que ele tiver condições de escolher ele saberá de onde vem cada um dos alimentos e decidirá se os bichinhos serão encarados como alimentos ou não por ele.⁣

Não ofereci nada com sal antes de 1 ano (agora raramente come algo com pouco sal) e seguirei sem permitir nada com açúcar (mel, melado, etc) até pelo menos 2 anos, conforme os estudos e orientações oficiais da SBP, MS e OMS. Sucos também nunca foram oferecidos (a recomendação é aguardar pelo menos 1 ano e dar em pouca quantidade) e nunca dei nenhum tipo de alimento processado ou industrializado (nem pretendo dar tão cedo). Olho os rótulos e a lista de ingredientes de tudo, pois sei que não apenas o nosso paladar para o resto da vida será em grande moldado em função dos 2 primeiros anos, como também muitas predisposições a problemas de saúde (como hipertensão, obesidade, etc). ⁣

A minha meta nunca foi “criar um sobrevivente”, e sim oferecer o melhor que estiver ao meu alcance enquanto eu tiver controle sobre isso. Quanta gente afirma que “foi criado sem essas frescuras e sobreviveu”, mas hoje tem problemas de peso, de pressão, compulsão ou distúrbios alimentares, uma péssima relação com a comida e tantas outras coisas que podemos inclusive nunca associar a nossa introdução alimentar? Conforme ele for crescendo, seguirei a máxima de “não oferecer, mas também não negar” quando estivermos em uma situação social com doces, frituras, industrializados e etc, sempre prezando por evitar ter esses alimentos disponíveis em casa. .
Eu também sempre dei preferência para oferecer alimentos orgânicos, mas se essa não é uma opção para você (seja por não ter alimentos orgânicos disponíveis onde você mora, seja pelo preço), continua sendo muito mais válido comer vegetais, ainda que com agrotóxico, do que não comer. Uma dica: pesquise e opte sempre pelas frutas e vegetais da temporada, pois eles costumam ter menos veneno. ⁣

Em relação ao preparo dos alimentos, costumo ter pequenas porções de arroz e feijão congelados, e fazer os legumes e a omelete (que ele come todos os dias) frescos. Vario entre refogados, no vapor, assados, na airfryer, assim como os tipos de corte (maiores, menores, em círculos, em palitos…). Desde o início usei temperos naturais em algumas preparações, como orégano, cúrcuma, paprica, tomilho, alecrim, azeite, cheiro verde, algo, cebola e etc. Afinal, comida sem sal não quer dizer comida sem tempero! ⁣

Nem sempre comemos as mesmas coisas e no mesmo horário (o que seria o ideal), pois precisei recorrer muitas vezes a serviços de delivery nos últimos tempos devido a minha mudança, falta de cozinha, de tempo, de rotina…mas sempre que faço para ele (nesses dias eu fazia na panela elétrica ao vapor) eu coloco uma quantidade maior para eu comer alguns pedaços também e ele ver. ⁣

Na maioria dos dias, ele acorda e mama, depois come uma fruta pura (ou banana + aveia + pasta de amendoim pura com selo ABICAB ou ISO), mama, almoça, come uma fonte de vitamina C para aumentar absorção do ferro (laranja, mexerica, etc), mama, come um lanche (que pode ser outra fruta ou alguma receitinha caseira como bolinho de banana com aveia e cacau, “danoninho” de inhame com manga ou morango, tapioca, etc), mama, janta (a mesma coisa do almoço que já está separado na geladeira), mama e dorme. Antes de dormir, faço suplementação de vitamina D, ferro e vitamina B12. As duas primeiras são recomendação oficial da SBP para todos os bebês a partir do nascimento e de 3 meses, respectivamente! Já a B12 fazemos por ele não estar comendo carne até o momento.⁣

Eu também desapeguei da regra de que ele tem que comer apenas na mesa. Normalmente, começamos a refeição na mesa (no bumbo), ele pede colo e continua comendo, às vezes ele quer sair explorando o ambiente e sigo oferecendo, mama, come mais um pouco, etc. Por isso, o adulto que está oferecendo uma refeição para um bebê precisa de basicamente 3 coisas: tempo disponível, ajuste de expectativas e paciência! ⁣

Resumindo, dos 6 aos 10 meses, aproximadamente, ele comia uma quantidade bastante pequena, com alguns dias de exceção! Dos 10 aos 12 meses, essa quantidade aumentou um pouco, mas continuou variando bastante conforme o dia ou a refeição. Apenas nessas últimas 2 semanas, ou seja, com 13 meses, que finalmente eu sinto que a introdução alimentar de fato mudou de nível, inclusive na questão do uso dos talheres! Sempre deixei os talheres na mesa para ele pegar, se familiarizar, brincar e se interessar! Mas ele comia com as mãos ou com algum adulto oferecendo na boca dele (com as mãos também ou na colher, como feijão, coisas pastosas, etc). Nos últimos dias, partiu dele começar a querer espetar as coisas com o garfo e inclusive percebi o quanto isso aumentou a motivação dele com a comida (ele próprio bate palmas quando consegue espetar a comida e fica super contente). Desde então, tem passado até a comer mais. A colher ele ainda manipula muito pouco. Definitivamente, essa não é uma preocupação minha. Você conhece algum adulto que não sabe comer com colher? Nem eu! ⁣

Lembrem-se sempre que bebês (e todos nós) devem comer pq tem fome! Não para agradar os pais, não em troca de sobremesa, não para ganhar palmas e elogios, não por chantagens diversas. E nem distraídos por aviõezinhos, telas, brincadeiras, etc. Se o bebê sabia regular seu apetite quando estava em aleitamento exclusivo e livre demanda, ele não vai perder essa capacidade de um dia para o outro quando começa a comer. Vamos confiar neles e que o organismo deles sabe direitinho o quanto precisam! ⁣😊 Na GRANDE maioria das vezes, quando achamos que nossos filhos estão comendo pouco, estamos apenas projetando expectativas irreais neles! Devemos lembrar também que o ritmo de crescimento após 1 ano ou próximo disso diminui bastante, por isso o apetite também pode diminuir devido a uma menor necessidade calórica do bebê. ⁣
Para orientações de IA de bebês mais novos que estão começando a comer agora, leiam também a sequência de posts que eu já fiz anteriormente e os dois destaques sobre o assunto! ⁣


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