Introdução Alimentar

Pessoal, vocês me perguntam MUITO sobre a introdução alimentar do Pedro e eu já postei várias coisas nos stories (que estão nos destaques de IA), mas vou detalhar aqui como foi o primeiro mês, junto com a informação teórica que eu acumulei sobre o assunto! Recomendo muito o curso online da Fran do @bebedenutri, o livro “Meu filho não come” do Dr. Carlos Gonzales, e os instas @blwoque e @mundoblw! Sei que alguns profissionais orientam diferente, mas todas as informações que estão aqui também são possibilidades que estão de acordo com as recomendações da SPB (Sociedade Brasileira de Pediatria) e do Ministério da Saúde! Não é a única forma de oferecer alimentos e não necessariamente a melhor, mas é como fez TOTAL sentido para mim!
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Primeiro eu queria reiterar que a introdução alimentar só deve começar aos 6 meses de vida, mesmo que a mãe volte a trabalhar antes, e apenas após os sinais de prontidão (sentar sem apoio, demonstrar interesse pelos alimentos, saber levar objetos à boca, controle de cervical e protusão da língua diminuída), pois existem os sinais internos do sistema digestivo do bebê que não enxergamos é uma introdução precoce pode acarretar danos como maior chance de alergias alimentares no futuro, dentre outros.
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Como eu já esperava por tudo que havia estudado, de fato é um período de INTRODUÇÃO (no sentido de apresentação mesmo)! Aquela expectativa que a gente costuma criar de que o bebê vai comer amarradão e esvaziar o pratinho logo de cara é apenas isso mesmo: uma expectativa! hahaha
Que eu não tinha tanto porque havia estudado muito o assunto antes (lido muito, conversado com a Fran do @bebedenutri e feito o curso online dela)! Porém eu confesso que achava que a partir do 6 mês o bebê ia adquirir um tiquinho mais de independência de mim (quando na verdade foi o extremo oposto: ele está mais apegado ainda e mamando até mais)!
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Por tudo que eu tenho visto, assim como todas as outras coisas da maternidade, essa é uma questão extremamente individual! Tem bebês que desde o primeiro dia se interessam e comem uma boa quantidade (são minoria), tem bebês que aceitam explorar com os 5 sentidos e provar os alimentos, a cada dia mais (parece ser o caso do Pedro) e tem bebês cuja introdução alimentar só engrena muitos meses depois (já vi bebês que começaram a comer mesmo só após 9 ou até mesmo 12 meses)!
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O importante é respeitar o tempo do seu bebê, confiar na saciedade e no mecanismo de auto regulação dele e lembrar que somos responsáveis pela qualidade do alimento ofertado, mas o bebê é responsável pela quantidade ou se deseja comer ou não! E, principalmente, saber que o leite materno ou a fórmula seguem sendo o principal alimento até 1 ano de idade, sendo os alimentos sólidos apenas um complemento, e não o contrário.
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Falando em alimentos sólidos, é importante não peneirar ou liquidificar os alimentos, desde o primeiro dia da introdução alimentar, além de oferecer os alimentos separadamente (não misturados), para que o bebê descubra a textura e o sabor de cada um e vá desenvolvendo seu paladar e suas preferências! Se você se sente insegura em oferecer em pedaços como eu fiz desde o primeiro dia, sugiro primeiro estudar bastante (principalmente sobre o mecanismo de GAG), e no máximo amassar o alimento grosseiramente, evoluindo a textura dia após dia (o ideal é que aos 9 meses o bebê já esteja comendo na mesma consistência que o adulto)! No início, a consistência ideal é aquela que se pressionarmos o alimento com a nossa língua até o céu da nossa boca ele se desfaz (por isso, não é necessário que o bebê tenha dentes para oferecer pedaços)!
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Como a imitação é um fator importante para que o bebê comece a se alimentar, afinal ele ainda não sabe que o alimento é capaz de matar sua fome, a família deve tentar comer junto com o bebê e os mesmos alimentos (adaptando apenas os cortes e temperos), tanto quanto possível. E nunca oferecer comida quando o bebê está com sono, irritado ou com fome (no início eles ainda não sabem que a comida alimenta, lembram? Então se ele pedir pode sim amamentar antes ou durante, para que ele se sinta tranquilo para explorar)! Muitas vezes o Pedro pede para mamar no meio da refeição e após isso ele fica muito mais receptivo para comer os alimentos sólidos do que estava antes.
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Idealmente, os alimentos do bebê devem ser os mesmos que a família está comendo, porém apenas com temperos naturais (em vez de sal e temperos prontos) e, claro, evitando os alimentos que contém muito agrotóxicos, transgênicos, etc. Industrializados, enlatados, alimentos ultraprocessados e açúcar não devem ser oferecidos antes dos 2 anos, e mesmo depois disso, com parcimônia! Isso inclui biscoitos (mesmo as petas), bolachas (mesmo de maizena), e etc! Leiam sempre a lista de ingredientes para verem a bomba que são esses alimentos para o bebê! Sabe o Danoninho? O próprio fabricante não indica antes dos 4 anos de idade!
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Se você está lendo isso aqui e pensando que estamos na geração “mimimi” e que na sua época não era assim e ninguém morreu, reflita se o seu objetivo é criar apenas um sobrevivente, ou se você está disposta a fazer o melhor pelo seu filho com base nas informações e evidências atuais!
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Todos os dias eu tento oferecer pelo menos um alimento de cada grupo alimentar: carboidrato (por ex: arroz, batata, batata doce, cará, inhame, mandioca, macarrão, milho, etc), leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilha, vagem), proteína (no nosso caso, ofereço omelete, mas aqui entrariam as carnes também), legumes (cenoura, couve flor, chuchu, beterraba, abóbora, repolho, etc) e salada verde escura (espinafre, brócolis, couve, etc). Para cada item desses há uma forma mais segura de oferecer, vejam meus stories. Costumo oferecer 2 refeições principais (almoço e janta) e 2 lanches (frutas de manhã e à tarde)!
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Não são todos os dias que eu ofereço todas essas refeições, principalmente no fim de semana quando não tenho muita ajuda, mas tento oferecer o máximo possível de variedade, mesmo sabendo que às vezes ele não vai nem provar! Com 6 meses é “ok” não oferecer todas as refeições, mas o ideal é que a partir do 7 mês o bebê já seja ao menos exposto à todas elas, mesmo que não queira comer! Se está difícil para você se organizar e cozinhar, pode tirar um momento na semana para isso e congelar os alimentos sem problemas! Aliás, o bebê deveria comer de preferência a mesma comida da família, e se você está comendo muitos alimentos “proibidos” ou não recomendados para ele, quem sabe não seja a hora de rever seus hábitos e ser mais saudável também?
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A maioria dos alimentos são oferecidos em pedaços, em cortes seguros (BLW), enquanto outros posso amassar grosseiramente com o garfo ou fazer bolinhos mais fáceis de pegar (arroz e feijão, por exemplo)! Estou bem tranquila com o fato dele ainda ingerir pouca quantidade de comida, pois sei que é normal, e fico feliz dele já estar explorando bastante e na maior parte dos dias topar experimentar nem que seja um pouquinho de cada! Nos primeiros meses, é importante priorizar as frutas e legumes in natura, em vez das receitinhas (mesmo que naturais apenas com ingredientes “permitidos”), para que o bebê se familiarize com os sabores e não prefiram receitas à comida de verdade! Após 9 meses, receitinhas estão liberadas!
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Alguns dias ele está mais disposto a experimentar e comer uns pedacinhos, em outros só quer mamar. Às vezes ele recusa o café da manhã mas come as outras refeições do dia, e vice versa! Pode comer apenas uma pontinha, ou até mesmo metade de cada alimento oferecido (aconteceu hoje, após 1 mês, rs)! Ou seja, não há regras!
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Optei pela introdução alimentar participativa, onde a criança é a protagonista e respeitando seus sinais de saciedade! Isso significa que ele primeiro ele demonstra interesse em comer, por exemplo abrindo a boca, pegando a comida, levando a colher ou a minha mão até a boca dele, etc! Ele decide se quer comer, a quantidade ingerida e em quanto tempo! Não forço, obrigo, distraio com vídeos, aviãozinho, nem parabenizo, bato palmas e etc.
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Independente se você dará pedaços (BLW) ou papinha, para desenvolver uma boa relação com a comida o bebê deve ter todos os sentidos estimulados na alimentação: deixar que ele participe do processo de comprar, descascar, sentir a textura, os cheiros, os barulhos…e não distraí-lo com nenhum outro artifício que fará ele comer mais do que ele comeria, pois é assim que muitos de nós perdemos a conexão com nosso mecanismo de saciedade e auto regulação de comer apenas quando temos fome!
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Portanto, a introdução alimentar está longe de ser algo banal, onde o objetivo final deve ser apenas que o bebê coma e ponto! A nossa responsabilidade como pais no desenvolvimento de uma relação saudável e prazeirosa do bebê com a comida é muito mais profunda que isso!

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