Mito: “não tive dilatação”

E a falta de dilatação, existe?! Via de regra, não!

Na maior parte das vezes que ouvimos relatos de falta de dilatação, a mulher não estava de fato em trabalho de parto ativo (contrações efetivas, vindo com uma frequência de pelo menos 3 a cada 10 minutos, durando a partir de 40/50 segundos cada e bastante intensas)!

Muita gente acaba correndo para o hospital ainda em pródromos (um conjunto de sinais que antecede o TP e pode durar semanas), fase latente (pode durar dias) ou assim que a bolsa estoura (o que não é sinônimo de trabalho de parto). Então, para o médico, fica mais fácil sugerir a cesariana alegando falta de dilatação do que ter que lidar com aquela situação que ainda pode se prolongar bastante!

A falta de dilatação pode sim ocorrer, mas em casos muito específicos – uma parada de progressão após muitas horas de contrações efetivas, mesmo lançando mão de recursos como ocitocina, analgesia, amniotomia, etc, e pode significar inclusive uma DCP (desproporção cefalo pélvica) ou uma condição rara chamada “tríplice gradiente invertido” (quando a contração não empurra o bebê para baixo como deveria ser)! Mas isso é bastante incomum e não acontece em nem 1/100 das vezes que ouvimos falar por aí em falta de dilatação! E para isso existe um documento chamado “partograma”, que o profissional vai preenchendo durante a evolução do trabalho de parto e que o ajuda a definir quando é hora de intervir com segurança!

Ou seja, aguarde estar em trabalho de parto efetivo antes de ir para o hospital, se informe bastante e se possível conte com a ajuda de doulas, enfermeiras obstetras e equipes humanizadas para te acompanhar nesse momento!

Texto de Érica de Paula – doula, psicóloga, educadora perinatal e acupunturista. Co-Autora do documentário “O Renascimento do Parto – 1”.

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