Preparação para o parto

A primeira pergunta que praticamente todas as grávidas me fazem quando chegam ao consultório costuma ser: “como eu devo me preparar para ter um parto normal?”. Normalmente, elas estão se referindo a exercícios, posturas, respirações, aulas, yoga, fisioterapia, preparações específicas para o períneo, etc.

Eu particularmente acho tudo isso super bacana e não quero de maneira alguma desmerecer o trabalho das profissões associadas a todas essas práticas. Mas a grande verdade é que embora todas essas coisas sejam interessantes e benéficas para quem tem tempo, vontade, identificação, disciplina e até mesmo recursos financeiros, estão todas muito longe de serem essenciais para um bom trabalho de parto.

Desde que o mundo é mundo, as mulheres conseguem parir de forma natural sem alterar significativamente suas rotinas de forma a se preparar para esse momento. É claro que tudo aquilo que ajudar a promover a saúde e o bem estar da gestante (por exemplo: atividade física, alimentação equilibrada, controle de stress, etc) será sempre muito bem vindo – até mesmo para que a gestação se desenvolva como sendo de risco habitual (baixo risco)! Mas na hora do trabalho de parto propriamente dito, a natureza reina absolutamente soberana.

A glândulas liberam hormônios, o útero contrai, o colo dilata e o bebê desce em uma orquestração perfeita e milimetricamente desenvolvida e aprimorada ao longo de milhares de anos! O parto é um evento fisiológico e o corpo feminino sabe fazer isso direitinho. Obviamente, se algo sair do seu curso fisiológico, tanto as intervenções profissionais quanto a tecnologia serão muito bem vindas, mas não é o que ocorre (ou precisaria ocorrer) em 90% das vezes.

Por isso, na hora do trabalho de parto, aquilo que fará mais diferença nesse processo todo não será algo externo, mas sim a preparação mental/emocional/intelectual que a gestante acumulou, o que basicamente significa uma coisa: informação! Na realidade obstétrica atual (caracterizada por um índice absurdo de cesarianas, de intervenções desnecessárias e de violência obstétrica), é a informação de qualidade que vai possibilitar que essa mulher se conscientize, se empodere e faça escolhas compatíveis com os seus desejos e as suas expectativas.

Estar devidamente esclarecida sobre os tipos de parto, sobre as equipes profissionais, sobre as intervenções, sobre a realidade obstétrica do local onde ela vai parir e sobre os riscos e benefícios de cada aspecto de suas escolhas é que vai fazer toda a diferença no desfecho do grande dia. Tanto para que ela possa vivenciar plenamente aquele momento conforme suas expectativas, quanto para que ela possa aceitar um desfecho diferente do desejado, mas ainda assim construído (em termos de suas possibilidades) em conjunto com uma equipe de confiança.

Aliás, a possibilidade de estar acompanhada por uma boa equipe pode ser determinante para o resultado final dessa experiência, pois nem todos os profissionais estão disponíveis para atender um parto normal, ou são adeptos de práticas humanizadas e atualizados com as evidências científicas mais recentes (que encorajam determinadas condutas e contra indicam outras). Acima de tudo, o esforço não deve ser apenas para conseguir uma via de parto (normal x cesariana), e sim uma experiência respeitosa e enriquecedora, em que a mulher e o bebê sejam vistos como protagonistas dessa história, com segurança e acolhimento permeando todas as escolhas. Além de desejar um parto normal, a gestante precisa estar cercada de pessoas que a incentivem a vivenciar esse processo de forma realmente humanizada, algo que infelizmente é minoria dentre os obstetras brasileiros.

Portanto, se você quer um conselho para aumentar suas chances de ter um bom parto normal, é: se informe! leia, pesquise, frequente grupos de gestantes e conheça as equipes locais, converse com as doulas, busque relatos de parto, se empodere e saiba fazer escolhas que sejam compatíveis com o seu desejo. E quando sentir que o grande momento está começando, esqueça todas as neuras e todas as teorias. Apenas se entregue, se conectando com o seu corpo e confiando que ele saberá o que fazer. Porque, salvo algumas exceções, mulheres sabem parir, e bebês sabem nascer!

E se eu puder dar mais um conselho, anote: uma vez atingido um determinado grau de informação que te leve a fazer boas escolhas em relação ao seu parto, dedique o restante do seu tempo para se preparar para a maternidade. O parto acontecerá em algumas horas (no máximo, alguns dias). Mas o puerpério, a amamentação e a criação do seu filho são processos tão ou mais difíceis que te consumirão durante meses e anos a fio. Não deixe de se preparar para eles, sabendo também que a prática frequentemente será diferente de todas as teorias estudadas.

Por Érica de Paula – Doula, Psicológa, Educadora Perinatal e Acupunturista

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Foto: Elis Freitas

Texto de Érica de Paula – doula, psicóloga, educadora perinatal e acupunturista. Co-Autora do documentário “O Renascimento do Parto – 1”.

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