Quem a maternidade te tornou?

Por muito tempo eu fui a menina precoce que aos 15 frequentava congressos de saúde e aos 23 já estava casada e tinha quatro profissões. Já fui conhecida como a psicóloga, a acupunturista, a doula, a moça que fez aquele filme de parto. Já fui a adolescente roots e ruiva que escutava música celta meditando na cachoeira e a mulher adulta com luzes no cabelo que aprendeu a gostar de sertanejo na balada. Já escrevi, roteirizei, produzi, palestrei, devorei livros e maratonei cursos. Já passei anos da minha vida trabalhando 12 horas por dia e também já tirei longas pausas para me apaixonar, viver intensamente e viajar o mundo! Já me mudei 11 vezes, mas sempre soube que lar não é um lugar físico, e sim onde nosso coração está. Já tive certeza absoluta da minha missão no mundo e já quis ser dezenas de outras coisas também. ⁣⁣⁣
⁣⁣⁣
Já fui gestante, parturiente, puérpera. Há 22 meses, desde o teste positivo de farmácia no banheiro do restaurante, sou mãe. E de todos os inúmeros papéis que eu já desempenhei, nenhum me exigiu tal nível de renúncia e entrega. Nada testou tanto minha força, minha resistência física e emocional, ou minha minha paciência. Nada me tornou tão resiliente. Nada me reduziu tanto e ao mesmo tempo me transbordou de uma maneira que nenhum outro tipo de experiência humana ou terapêutica seria capaz de proporcionar. Nada me motivou de tal forma a querer ser uma pessoa melhor. ⁣⁣⁣
⁣⁣⁣
Ser mãe exige uma espécie de auto anulação temporária até que a gente se (re)descubra em meio a tantos papéis. Alguns deles nunca mais farão sentido novamente. Outros serão ainda mais valorizados. Tantos outros, ressignificados.⁣⁣⁣ Eu ainda não sei exatamente quem sou eu pós maternidade. Estou descobrindo a cada dia e ansiosa por essa “versão final”.⁣ E por aí, como está sendo esse processo de descoberta da sua nova identidade? ⁣⁣⁣

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *