Tipos de Parto

Apesar de não considerar a expressão “tipos de parto” a mais adequada, se faz necessária uma distinção didática entre as diferentes maneiras que existem de vivenciar o nascimento de um bebê! Atualmente, ouvimos muito falar em expressões como “parto humanizado”, “parto natural”, “parto domiciliar”, etc, o que acaba causando uma certa confusão a respeito das características e peculiaridades de cada um. Resumidamente, podemos definir da seguinte maneira:

– PARTO NORMAL: sinônimo de parto vaginal, pode ocorrer natural e espontaneamente, ou com determinadas intervenções. Alguns exemplos de intervenções comuns são a utilização de ocitocina intravenosa, episiotomia, analgesia, fórceps, manobra de kristeller, etc. Infelizmente, na grande maioria das vezes, essas intervenções são utilizadas inadequadamente e sem indicação médica real, tornando o parto um evento traumatizante e realmente digno de medo para as futuras mamães. Por isso, a grande maioria dos relatos de parto traumatizantes que ouvimos se referem a essa violência obstétrica que ainda é praticada por muitos profissionais e instituições, e não ao parto em si.

– PARTO NATURAL: sinônimo de parto fisiológico, é aquele que inicia espontaneamente e permanece sem intervenções até a dequitação da placenta. Pode ser ou não humanizado.

– PARTO HUMANIZADO: é o parto em que a mulher tem o protagonismo respeitado em relação às suas escolhas sobre como deseja vivenciar esse momento. No parto humanizado, a mulher é deixada livre para se movimentar e escolher a posição em que se sente mais à vontade para parir (deitada, de lado, de cócoras, de quatro apoios, na água, etc).  É incentivado o uso de recursos que podem tornar o parto mais fácil e agradável, como bola suíça, massagens, banho (no chuveiro ou de imersão),  banqueta de parto, terapias alternativas, etc.  O ambiente também é levado em consideração, sendo comum a ambientação com meia luz, músicas da escolha do casal, aromas, etc. A parturiente fica à vontade para ingerir água ou comida se assim desejar, e não são realizadas intervenções de rotina (apenas se forem necessárias ou a pedido da mulher, como analgesia). Por isso, não necessariamente o parto humanizado é natural. O parto humanizado pode acontecer no hospital, ser domiciliar ou em casas de parto (nesses dois casos, alguns critérios são fundamentais), e pode ser considerado um evento bio-psico-social-espiritual-familiar, e não apenas médico. Na maioria das vezes, conta com a presença de uma doula e do(s) acompanhante(s) que a gestante escolher. Todas as condutas de um parto humanizado estão em consonância com os estudos científicos mais recentes e de melhor qualidade disponíveis (a chamada Medicina Baseada em Evidências).

– PARTO DOMICILIAR: diferente do que muitas pessoas pensam, não representa um “retrocesso” que visa termos o mesmo tipo de parto que as mulheres tinham antigamente, quando elas não podiam escolher e normalmente não eram assistidas por equipes treinadas em emergências obstétricas que dispõem de todos os recursos necessários para lidar com intercorrências. Atualmente, é possível aliar todo o conhecimento e tecnologia conquistados até os dias de hoje com o aconchego do lar. O parto domiciliar deve ser assistido por profissionais qualificados: médicos, enfermeiras obstétricas ou obstetrizes (parteiras formadas, chamadas de midwives no exterior e responsáveis por boa parte dos partos de baixo risco em países desenvolvidos). Conta frequentemente com a presença de uma doula. É uma opção comprovadamente segura de acordo com a medicina baseada em evidências e uma boa opção para quem deseja um parto personalizado, com privacidade e completo domínio do ambiente.  Costuma ser natural (sem intervenções, que inclusive não devem ser feitas fora do hospital por acrescentarem riscos) e humanizado. São realizados quando tudo ocorre dentro da fisiologia normal e esperada, devendo haver sempre um planejamento detalhado de plano B para a eventual necessidade de transferência hospitalar por necessidade ou desejo da mulher. Também só é recomendado para gestações de baixo risco com um pré natal bem feito e para casais que desejam e se sentem seguros com essa opção.

– CESARIANA: cirurgia de extração do bebê em que se cortam 7 camadas de tecido abdominal. Embora seja uma técnica relativamente segura, está relacionada com desfechos maternos e perinatais piores do que o parto normal, com mais chances de mortes e complicações. Possui todos os riscos inerentes à uma cirurgia (infecção, hemorragia, complicações anestésicas, etc) e se associa a uma recuperação mais lenta e difícil, o que pode comprometer o início da amamentação, o vínculo e os cuidados com o bebê. Quando necessária, é uma cirurgia maravilhosa que salva vidas diariamente.

– CESÁREA HUMANIZADA: Em teoria, seria uma cesariana cujos impactos da cirurgia na mãe e no bebê tentam ser amenizados por medidas como: deixar o campo abaixado na hora da extração para que a mãe possa ver o bebê saindo, incentivo à amamentação na primeira hora de vida e contato pele a pele imediato, diminuição do ar condicionado no ambiente para que o bebê não sofra com o choque térmico na sala cirúrgica, trilha sonora escolhida pela mãe, silêncio e respeito ao momento do nascimento, luz apagada (com exceção do foco cirúrgico), etc. Sendo necessária, a cesariana pode e deve ser realizada dessa maneira. No entanto, por pressupor uma participação ativa e um protagonismo da mãe impossível de ser realmente alcançado em uma cirurgia, o termo cesariana humanizada costuma ser substituído por “cesariana respeitosa”.

É importante ressaltar que não existe um jeito certo ou errado de dar à luz. No entanto, é fundamental que a decisão do casal seja tomada após terem acesso à informações verdadeiras e baseadas em evidências. Infelizmente, o assunto está tomado de mitos que são disseminados não apenas por outras mulheres e pela sociedade, mas até mesmo pelos profissionais de saúde, que muitas vezes não estão atualizados ou não pautam sua atuação pela ética, fazendo escolhas duvidosas ou interferindo no desejo da mãe apenas para satisfazer sua conveniência.

Por isso, futuras mamães: durante o pré natal, se informem, participem de grupos de gestantes, leiam sobre o assunto e busquem referências para encontrar o profissional que mais se adeque às suas expectativas!

Foto: Fabiano Knopp

Texto de Érica de Paula – doula, psicóloga, educadora perinatal e acupunturista. Co-Autora do documentário “O Renascimento do Parto – 1”.

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