Todo parto normal é humanizado?

Quando falamos em assistência humanizada ao parto e nascimento, não pensem que nos referimos simplesmente a ter o bebê de parto normal. Até mesmo quando o parto se dá de forma natural e fisiológica, na grande maioria das vezes, o bebê é separado precocemente de sua mãe em um momento crucial para o estabelecimento do vínculo e do aleitamento. Nessa primeira hora de vida, chamada com razão pelos especialistas de “hora de ouro”, é muito importante que mãe e bebê estejam juntos, se conhecendo, se apaixonando um pelo outro e aproveitando o grande coquetel hormonal que o corpo produz nesse momento (esse, provavelmente, será o maior pico de liberação de ocitocina da vida daquela mulher).

Infelizmente, os rígidos protocolos hospitalares acabam não permitindo que esse momento seja desfrutado da melhor maneira possível, e mesmo bebês que nascem “muito bem, obrigada” são levados para procedimentos de rotina que muitas vezes são desnecessários ou poderiam esperar para serem realizados. Mas não precisa ser assim. Como usuários de um sistema de saúde precário – baseado numa lógica de linha de produção que visa sobretudo o lucro – podemos e devemos exigir da instituição e dos prestadores de serviço um atendimento qualitativo, que não enxergue em cada mulher e bebê apenas um número, mas sim uma família em construção que precisa de todo o acolhimento possível nesse momento de profundas transformações. E tudo isso independente da via de nascimento! Cabe lembrar que inclusive as cesarianas (que são necessárias e bem indicadas em até 20% dos casos – e não 90%, como acontece no sistema suplementar de saúde), podem ser conduzidas de forma suave e acolhedora com o binômio mãe/bebê .

Na foto, dois partos normais e duas cesarianas necessárias realizadas intraparto (durante o trabalho de parto) que eu acompanhei. Comum a todas: uma assistência humanizada, respeitosa e o estímulo ao contato precoce entre mãe e bebê nos primeiros minutos de vida.

 

Texto de Érica de Paula – doula, psicóloga, educadora perinatal e acupunturista. Co-Autora do documentário “O Renascimento do Parto – 1”.

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